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Caminho
em cadência de quem medita...
Enquanto caminho, penso: sou um mito criado para que o sofrimento
encontre acolhida.
Estou cheio de questões delimitantes...
Uma voluptuosa vontade de compreender o todo, funde-se num vasto
único, povoado de memórias e da inconsciência
do agora.
Os ruídos do mundo fazem-se desrespeitosos, tirando-me
de uma realidade pressuposta e impelindo-me para concretudes
inevitáveis, onde o tempo me é fiel.
O decorrer é quase falso quando me encontro de volta
ao ponto de partida.
Dirijo meu olhar ao nada, preenchido das esperanças de
um coração que está prestes a parar, inexoravelmente.
Elevo minhas preces aos céus, e enquanto espero, busco
algo que traduza o sentido de minha tortuosa existência,
pois o futuro já não existe e é passado
no que resta de minha caminhada.
Nesta hora metafísica, minha mente já confusa,
compõe-se de imagens insólitas e ímpetos
desorganizados.
Paro...e então deparo-me com o sorriso de minh’alma
aconchegando-me e conduzindo-me a um novo mundo. |